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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

C.E. ODIVELAS - Exposição do Espólio do CEO





Obras doadas pelos artistas
após as exposições
ao longo dos últimos anos
Estou presente com quatro fotografias

21 de Setembro a 19 de Novembro 2017





"República - Conceito" (2010)


Odivelas "à vol d'oiseaux" (2014)

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

C.E. ODIVELAS - "FlashBack"


















Folha de Sala - CONFISSÕES DE UM COLECCIONADOR

A colecção de câmaras fotográficas antigas é uma espécie de lar da terceira idade, uma Babel de olhares desmemoriados.
As máquinas foram chegando dos quatro cantos do mundo, com seus achaques, deixando para trás, sabe-se lá onde, as suas memórias de celulóide.
Umas têm as lentes toldadas pelas cataratas do vidro, outras disparam devagar na dolorosa artrite dos seus obturadores e outras ainda sofrem da incontinência luminosa causada pelos orifícios nos foles.

Mas todos aqueles olhos que tanto viram ao longo do século XX, nos mais desvairados locais e situações, parecem agora pasmados pelo vazio dos seus interiores negros de onde os homens, invejosos e cansados das imagens fátuas do cérebro, arrancaram as películas em que o tempo se suspendera.
Este Alzheimer fotográfico do já visto só pode ser revertido fotografando outra vez.

A cada nova velha máquina que desperto do seu sono, qual bela adormecida, sinto-me um príncipe encantado.
Excita-me imaginar o que elas sentem quando abrem os seus olhos há tanto tempo cerrados. Quase tudo o que eu lhes possa mostrar, quando as disparo, deve ser para elas uma espantosa novidade.
Umas, posso imaginá-las na Chicago elegante dos anos vinte e tento perceber o seu choque quando abrem a lente para a arquitectura vanguardista da Expo.
Outras, podem muito bem ter servido para um fazendeiro boer fotografar as suas orgulhosas plantações, ou para um nababo do Pundjab eternizar o palácio e os seus adornos femininos; mas agora piscam o seu obturador em remotas aldeias transmontanas.
Elas viajaram no tempo e no espaço para, nos meus braços, sair da sua prolongada letargia.

É ao fotógrafo que cabe levar as máquinas a olhar e registar de novo, num reviver de mecanismos e gestos. Reter as suas memórias num enrolar de filme e depois pô-las frente a frente com as suas próprias obras.
Ao fazer isso, o fotógrafo reinventa a sua própria biografia. Repetindo os modos que há muito esquecera ou descobrindo os gestos que nunca tinha feito.

O visor à altura do olho ou da cintura, o avanço da película com alavanca ou com rotação da lente, a focagem por estimativa ou por sobreposição, a medição da luz pelo selénio ou pelo cádmio, o empunhar da câmara com dois dedos ou com as duas mãos, o disparo espontâneo ou encenado, um olho que pisca ou então um olho que arregala, são determinantes do que se pode fotografar e de como se fotografa.

Os desenvolvimentos tecnológicos e ergonómicos que percorreram o século XX não constituem apenas uma parada de tentativas e de abandonos, de sucessos e de fracassos; cada nova realização da técnica e do design transformou o gesto de fotografar de forma irremediável.
Ao reconstituir essa caminhada desvendamos as razões que tornaram incontornável o acto de fotografar.

Fernando Penim Redondo


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

C. E. ODIVELAS - "Odivelas à vol d'oiseau"







Odivelas "à vol d'oiseau"
Impressão por pigmentos de tinta
em papel Harman Gross Art Fiber 300gr - 60X80cm

O GOOGLE Earth é uma imensa fotografia do mundo, onde cada um pode escolher o rectângulo que mais lhe convier. Alguém que se aproximasse de Odivelas, vindo do espaço, começaria provavelmente por notar as volutas do nó em Senhor Roubado.

Fernando Penim Redondo

Novembro 2014

quinta-feira, 21 de maio de 2009

C.E. ODIVELAS - "40 ANOS com Pessoas"



























O fio condutor da exposição é a descoberta da diversidade cultural e étnica, mesmo onde e quando a modernidade vai fazendo os seus “estragos”.
Adicionalmente permite comparar o olhar de um mesmo fotógrafo em situações geográficas muito diferentes e em fases da vida muito distanciadas.
As fotografias, divididas em dois grupos, foram produzidas com um interregno de cerca de 40 anos. 
Grupo 1968/9 – fotografias a preto e branco, feitas na Guiné Bissau  
Durante dois anos percorri a Guiné, em serviço, e fui aproveitando essa oportunidade para contactar e registar o dia-a-dia do seu povo.
Enquanto o fazia tinha a sensação de suspender a guerra. 
O conjunto de imagens apresentado documenta pessoas a trabalhar ou a divertir-se nos seus ambientes próprios, tal como as via um jovem tenente da Armada de 22 anos. 
Grupo 2006/8 – fotografias a cores feitas na China, Índia e Nepal  
Um conjunto de viagens ao Oriente permitiu-me comparar a actualidade dos três países que tanta curiosidade despertam hoje. 
Na China são os traços do desenvolvimento acelerado que mais marcam. Na Índia e no Nepal somos mais tocados pela serenidade da beleza ancestral.
O conjunto de fotografias expostas mostra rostos e atitudes quotidianas fotografados nestes três países asiáticos que constituem uma continuidade geográfica. O Nepal funciona, de certa forma, como recipiente misturador das influências dos outros dois gigantes.

Fotografar pessoas é, em vários sentidos, um desafio. Elas são um detalhe na paisagem mas um detalhe que encerra um mundo.
Quando fotografamos as pessoas elas deixam de ser uma abstracção, um número no meio de milhões, e a sua individualidade impõe-se de forma comovente. 
Penso que esta exposição mostra como, em 40 anos, nunca deixei de ser atraído pela magia desse processo.
Fernando Penim Redondo