quinta-feira, 29 de novembro de 2018

PEQUENA GALERIA - Coletiva Salão de Inverno #5

"Coletiva Salão de Inverno #5" - Pequena Galeria

29 de Novembro 2018
Fotografias feitas no Peru em 2011










(foto PG)


(foto PG)



(foto de Jorge Coimbra)

sábado, 17 de novembro de 2018


QUINTA DA FONTE (Centro Comunitário) - "Em vez de Balas"





"Em vez de balas" - Centro Comunitário da Apelação
(Quinta da Fonte)
17 de Novembro 2018
Projecção de fotografias feitas na Guiné - 1968 e 2018





Em vez de balas


No dia 1 de Maio de 1968, larguei do Tejo, rumo à Guiné, a bordo da fragata Corte Real. Era então um jovem tenente dos fuzileiros, com 22 anos, recém casado, que interrompera os estudos de Economia na Universidade de Lisboa.

Em Bissau integrei a 6ª Companhia, aquartelada no INAB, junto ao Geba.
A nossa missão consistia essencialmente na escolta de combóios de embarcações que levavam abastecimento aos quartéis do Exército.

Subi e desci os principais rios da Guiné comandando, conforme os casos, uma ou duas lanchas de desembarque médias (LDMs). Em ocasiões apoiado por lanchas de fiscalização pequenas (LFPs).
Naveguei no Cacheu até Farim, no Mansoa, no Geba e no Rio Grande de Buba.
Liguei por mar a foz desses grandes rios e também fui a Bolama e a Bubaque.

A guerra era uma realidade penosa para quem como eu, jovem militante comunista, se opunha ao domínio colonial e defendia a independência das colónias. Partilhei esse drama pessoal com a minha mulher, Maria Rosa, que trabalhou como professora de História no Liceu Honório Barreto.

A fotografia constituiu para mim um paliativo. Ao fotografar a dignidade do povo guineense, a beleza das suas mulheres, o porte dos seus homens e o encanto das suas crianças, eu tinha a impressão de estar a fazer um gesto de amizade no contexto da guerra. A disparar fotografias em vez de balas.
É significativo que pouco tenha fotografado da guerra e dos temas militares.

2018 é o cinquentenário da minha chegada a Bissau.
Sinto-me na obrigação de comemorar essa fase tão marcante da minha vida de jovem adulto. Tal como os outros jovens da minha geração aprendi, "no terreno", a grande lição da relatividade da nossa própria cultura.

Visitei de novo a Guiné, em Fevereiro 2018, e percorri os locais por onde passara, e fotografara, há 50 anos. E voltei a fotografar lá com a mesma câmara que então usei.

Foi realizada uma exposição das minhas fotografias, feitas em 1968/69, que teve lugar no Centro Cultural Português de Bissau.
Uma espécie de tributo, para restituição da memória de uma realidade que em grande medida já não existe.

Fechou-se então o ciclo. Como experiência pessoal é uma grande emoção.
Num plano mais geral creio que propiciará reflexões sobre a guerra colonial e  sobre a forma como a viam tantos jovens que politicamente a contestavam.

Fernando Penim Redondo (fjprgm@gmail.com - 912421586)
Quinta da Fonte, 17 de Novembro de 2018










sábado, 20 de outubro de 2018

ZAMBUJAL (Associação dos Moradores) - "Em vez de balas"



"Em vez de balas" - Associação de Moradores e Proprietários
Zambujal
20 de Outubro 2018
Projecção de fotografias feitas na Guiné - 1968 e 2018







Arlindo Tavares, Presidente da Associação de Moradores e Proprietários do Zambujal






Com Arlindo Tavares e o Dr. Paulo Piteira



Em vez de balas


No dia 1 de Maio de 1968, larguei do Tejo, rumo à Guiné, a bordo da fragata Corte Real. Era então um jovem tenente dos fuzileiros, com 22 anos, recém casado, que interrompera os estudos de Economia na Universidade de Lisboa.

Em Bissau integrei a 6ª Companhia, aquartelada no INAB, junto ao Geba.
A nossa missão consistia essencialmente na escolta de combóios de embarcações que levavam abastecimento aos quartéis do Exército.

Subi e desci os principais rios da Guiné comandando, conforme os casos, uma ou duas lanchas de desembarque médias (LDMs). Em ocasiões apoiado por lanchas de fiscalização pequenas (LFPs).
Naveguei no Cacheu até Farim, no Mansoa, no Geba e no Rio Grande de Buba.
Liguei por mar a foz desses grandes rios e também fui a Bolama e a Bubaque.

A guerra era uma realidade penosa para quem como eu, jovem militante comunista, se opunha ao domínio colonial e defendia a independência das colónias. Partilhei esse drama pessoal com a minha mulher, Maria Rosa, que trabalhou como professora de História no Liceu Honório Barreto.

A fotografia constituiu para mim um paliativo. Ao fotografar a dignidade do povo guineense, a beleza das suas mulheres, o porte dos seus homens e o encanto das suas crianças, eu tinha a impressão de estar a fazer um gesto de amizade no contexto da guerra. A disparar fotografias em vez de balas.
É significativo que pouco tenha fotografado da guerra e dos temas militares.

2018 é o cinquentenário da minha chegada a Bissau.
Sinto-me na obrigação de comemorar essa fase tão marcante da minha vida de jovem adulto. Tal como os outros jovens da minha geração aprendi, "no terreno", a grande lição da relatividade da nossa própria cultura.

Visitei de novo a Guiné, em Fevereiro 2018, e percorri os locais por onde passara, e fotografara, há 50 anos. E voltei a fotografar lá com a mesma câmara que então usei.

Foi realizada uma exposição das minhas fotografias, feitas em 1968/69, que teve lugar no Centro Cultural Português de Bissau.
Uma espécie de tributo, para restituição da memória de uma realidade que em grande medida já não existe.

Fechou-se então o ciclo. Como experiência pessoal é uma grande emoção.
Num plano mais geral creio que propiciará reflexões sobre a guerra colonial e  sobre a forma como a viam tantos jovens que politicamente a contestavam.

Fernando Penim Redondo (fjprgm@gmail.com - 912421586)
Zambujal, 20 de Outubro de 2018

domingo, 14 de outubro de 2018

domingo, 30 de setembro de 2018

QUINTA DO MOCHO (Casa da Cultura) - "Em vez de Balas"






"Em vez de balas" - Casa da Cultura de Sacavém
(Quinta do Mocho)
29 de Setembro 2018
Projecção de fotografias feitas na Guiné - 1968 e 2018








Em vez de balas


No dia 1 de Maio de 1968, larguei do Tejo, rumo à Guiné, a bordo da fragata Corte Real. Era então um jovem tenente dos fuzileiros, com 22 anos, recém casado, que interrompera os estudos de Economia na Universidade de Lisboa.

Em Bissau integrei a 6ª Companhia, aquartelada no INAB, junto ao Geba.
A nossa missão consistia essencialmente na escolta de combóios de embarcações que levavam abastecimento aos quartéis do Exército.

Subi e desci os principais rios da Guiné comandando, conforme os casos, uma ou duas lanchas de desembarque médias (LDMs). Em ocasiões apoiado por lanchas de fiscalização pequenas (LFPs).
Naveguei no Cacheu até Farim, no Mansoa, no Geba e no Rio Grande de Buba.
Liguei por mar a foz desses grandes rios e também fui a Bolama e a Bubaque.

A guerra era uma realidade penosa para quem como eu, jovem militante comunista, se opunha ao domínio colonial e defendia a independência das colónias. Partilhei esse drama pessoal com a minha mulher, Maria Rosa, que trabalhou como professora de História no Liceu Honório Barreto.

A fotografia constituiu para mim um paliativo. Ao fotografar a dignidade do povo guineense, a beleza das suas mulheres, o porte dos seus homens e o encanto das suas crianças, eu tinha a impressão de estar a fazer um gesto de amizade no contexto da guerra. A disparar fotografias em vez de balas.
É significativo que pouco tenha fotografado da guerra e dos temas militares.

2018 é o cinquentenário da minha chegada a Bissau.
Sinto-me na obrigação de comemorar essa fase tão marcante da minha vida de jovem adulto. Tal como os outros jovens da minha geração aprendi, "no terreno", a grande lição da relatividade da nossa própria cultura.

Visitei de novo a Guiné, em Fevereiro 2018, e percorri os locais por onde passara, e fotografara, há 50 anos. E voltei a fotografar lá com a mesma câmara que então usei.

Foi realizada uma exposição das minhas fotografias, feitas em 1968/69, que teve lugar no Centro Cultural Português de Bissau.
Uma espécie de tributo, para restituição da memória de uma realidade que em grande medida já não existe.

Fechou-se então o ciclo. Como experiência pessoal é uma grande emoção.
Num plano mais geral creio que propiciará reflexões sobre a guerra colonial e  sobre a forma como a viam tantos jovens que politicamente a contestavam.

Fernando Penim Redondo (fjprgm@gmail.com - 912421586)
Quinta do Mocho, 29 de Setembro de 2018





sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

MUSEU ETNOGRÁFICO NACIONAL (Bissau) - "50 Anos Depois"





"50 Anos Depois"
47 fotografias 40X60 sobre Kline
feitas na Guiné em 1968 e 1969
A exposição decorreu entre 16 e 28 de Fevereiro 2018




Com o Director Albano Mendes 
























Video aqui: 



Folha de Sala - EM VEZ DE BALAS

No dia 1 de Maio de 1968, larguei do Tejo, rumo à Guiné, a bordo da fragata Corte Real. Era então um jovem tenente dos fuzileiros, com 22 anos, recém casado, que interrompera os estudos de Economia na Universidade de Lisboa.


Em Bissau integrei a 6ª Companhia, aquartelada no INAB, junto ao Geba. A nossa missão consistia essencialmente na escolta de combóios de embarcações que levavam abastecimento aos quartéis do Exército.

Subi e desci os principais rios da Guiné comandando, conforme os casos, uma ou duas lanchas de desembarque médias (LDMs). Em ocasiões apoiado por lanchas de fiscalização pequenas (LFPs).

Naveguei no Cacheu até Farim, no Mansoa, no Geba e no Rio Grande de Buba. Liguei por mar a foz desses grandes rios e também fui a Bolama e a Bubaque.

A guerra era uma realidade penosa para quem como eu, jovem militante comunista, se opunha ao domínio colonial e defendia a independência das colónias. Partilhei esse drama pessoal com a minha mulher, Maria Rosa, que trabalhou como professora de História no Liceu Honório Barreto.

A fotografia constituiu para mim um paliativo. Ao fotografar a dignidade do povo guineense, a beleza das suas mulheres, o porte dos seus homens e o encanto das suas crianças, eu tinha a impressão de estar a fazer um gesto de amizade no contexto da guerra. A disparar fotografias em vez de tiros.

É significativo que pouco tenha fotografado da guerra e dos temas militares.

2018 é o cinquentenário da minha chegada a Bissau.

Sinto-me na obrigação de comemorar essa fase tão marcante da minha vida de jovem adulto. Tal como os outros jovens da minha geração aprendi, "no terreno", a grande lição da relatividade da nossa própria cultura.

No dia 6 de Fevereiro parto para a Guiné e percorrer os locais por onde passei, e fotografei, há 50 anos. E voltarei a fotografar lá com a mesma câmara Pentax Spotmatic que então usei.

Está a ser organizada uma exposição das minhas fotografias, feitas em 1968/69, que terá lugar no Centro Cultural Português de Bissau, em 2018. O acervo deverá também ser exposto em Lisboa, no mesmo ano, estando em curso um processo de viabilização no Museu Nacional de Etnologia.
Uma espécie de tributo, pela restituição da memória de uma realidade que em grande medida já não existe.
Fechar-se-á então o ciclo. Como experiência pessoal é uma grande emoção.
Num plano mais geral creio que propiciará reflexões sobre a guerra colonial e sobre a forma como a viam tantos jovens que politicamente a contestavam.